Toyotaro: o Fã Que Virou o Artista Oficial de Dragon Ball Super

Toyotaro: o Fã Que Virou o Artista Oficial de Dragon Ball Super

Tem uma história dentro do universo de Dragon Ball que muita gente conhece só pela metade: o artista atual do mangá de Dragon Ball Super (Toyotaro) não começou como profissional contratado.

Ele começou como fã, desenhando conteúdo não oficial, e foi escolhido pessoalmente por Akira Toriyama pra herdar a franquia mais valiosa do shonen. É uma história rara e inspiradora no mundo dos mangás, por isso, vamos contar com todos os detalhes!

Quem é Toyotaro, afinal?

Autor de fanarts e atual mangaká de Dragon Ball Super: Toytaro

Toyotaro nasceu em 17 de maio de 1978. É autodidata, nunca estudou desenho de mangá formalmente. Antes de virar mangaká, trabalhava como diretor de televisão e nunca imaginou que faria isso profissionalmente.

Segundo ele mesmo contou em entrevista, achava que seria “impossível fazer isso oficialmente”, então se resignou a desenhar só como hobby.

Ele conheceu a obra de Toriyama ainda na escola, primeiro com Dr. Slump, depois com o anime de Dragon Ball, e por fim com o mangá original. Suas cadernetas escolares ficaram cobertas de personagens da série, e ele já inventava arcos inteiros de Dragon Ball na cabeça, só por diversão.

Toyble e Dragon Ball AF

o famoso dragon ball Af de Toyotaro

No início dos anos 2000, sob o pseudônimo Toyble, Toyotaro criou um mangá de fã chamado Dragon Ball AF. Era uma continuação não oficial da história, sem nenhum aval da editora ou da Toriyama Company, distribuída no circuito de dōjinshi, que é como o Japão chama publicações independentes feitas por fãs.

Esse trabalho amador circulou tanto que, décadas depois, ainda existe gente pesquisando “Dragon Ball AF é canon?” sem saber que a origem real é esse projeto de fã. A qualidade do traço e a fidelidade ao estilo de Toriyama chamaram tanta atenção que acabaram colocando Toyotaro no radar da própria Shueisha, editora oficial de Dragon Ball.

Eu tenho certeza que você já foi pego pesquisando o Goku SSJ5 ou outras versões semelhantes achando que era algo canônico nos anos 2000.

De fã a profissional contratado

Em 2012, Toyotaro levou seu trabalho até a Shueisha e, seis meses depois, foi contratado oficialmente. Seu primeiro projeto profissional foi Dragon Ball Heroes: Victory Mission, um mangá ligado ao jogo de cartas e arcade, publicado a partir de novembro de 2012 na revista mensal V Jump.

Foi só em 2015 que veio o convite decisivo. Toriyama escolheu Toyotaro pra ilustrar Dragon Ball Super, com a história estreando na edição de agosto da V Jump, lançada em junho daquele ano. O processo de trabalho funcionava assim: Toriyama enviava os pontos principais da trama, Toyotaro desenhava o storyboard preenchendo os detalhes entre eles, mandava de volta pra revisão de Toriyama, recebia ajustes e só então finalizava a arte pra publicação.

O quanto Toyotaro trabalha pra manter esse padrão

Comparação de traços dos dois artistas

Durante a última semana antes do prazo mensal, Toyotaro chegou a comentar que passa cerca de 18 horas por dia desenhando.

É um ritmo brutal, mas que ajuda a explicar por que o próprio Toriyama disse que, entre todos que trabalham na franquia, o traço de Toyotaro é o mais parecido com o dele. Uma crítica da Anime News Network chegou a descrever a arte de Toyotaro como “praticamente indistinguível” da de Toriyama.

Toyotaro mesmo admite ter mais dificuldade em desenhar robôs e mechas do que os personagens principais da série. Sua cena favorita de toda a franquia é a primeira transformação de Goku em Super Saiyajin contra Freeza, e ele confessa gostar bastante de desenhar as formas Super Saiyajin 3 e 4, embora sinta que desenha melhor o Super Saiyajin Blue.

A partir de 2018, mais que só ilustrador

A partir da Saga da Sobrevivência dos Universos, Toyotaro passou a atuar também como designer de personagens, criando visuais sozinho ou em parceria direta com Toriyama. Depois que o mangá alcançou o ritmo da adaptação em anime, em novembro de 2018, a história seguiu com arcos completamente originais, escritos e desenhados por Toyotaro com supervisão de Toriyama.

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O que aconteceu depois da morte de Toriyama

Akira Toriyama morreu em 1º de março de 2024. O mangá de Dragon Ball Super entrou em hiato indefinido logo depois, parado no capítulo 103. Toyotaro voltou brevemente com uma história avulsa publicada em fevereiro de 2025, adaptando materiais finais deixados por Toriyama, e depois com um mangá curtinho de três páginas ligado à linha de action figures S.H. Figuarts, lançado em 2026.

Existe também uma disputa judicial em andamento entre a Shueisha e a Capsule Corp, empresa fundada por um antigo editor de Toriyama, sobre direitos ligados à franquia. Isso tem dificultado avançar com a história principal.

Mesmo assim, Toyotaro já sinalizou nas redes sociais que está trabalhando pra trazer o mangá de volta, e a expectativa é de retorno ainda em 2026, possivelmente ao lado do remake em anime Dragon Ball Super: Beerus e da adaptação do arco do Prisioneiro da Patrulha Galática.

Por que ele evita o rótulo de “sucessor de Toriyama”

Apesar de tudo isso, Toyotaro diz se sentir desconfortável quando é chamado de sucessor de Toriyama. Ele prefere dizer que só honra o legado, não que o substitui. É um detalhe que diz bastante sobre como ele mesmo enxerga seu papel dentro da franquia, mesmo depois de mais de uma década desenhando Goku e companhia profissionalmente.

Por que essa história importa

Não é só uma curiosidade! Essa história nos lembra que quando existe talento de verdade e amor e obsessão, a “sorte” nos encontra no momento certo.

Toyotaro nunca escondeu de onde veio. Pelo contrário, o fato de ter sido um artista de dōjinshi antes de virar profissional hoje é parte oficial da narrativa sobre sua carreira.

Então, se você tem talento e ama o que faz, se inspire nessa história e lute para alcançar suas metas!

Perguntas frequentes sobre Toyotaro

Toyotaro desenha o anime de Dragon Ball Super também? Não diretamente. O anime é produzido pela Toei Animation com equipe própria. Toyotaro ilustra o mangá e colabora no design de personagens, que depois influencia a versão animada.

O Dragon Ball AF de Toyble é considerado canônico? Não. É uma obra de fã, sem vínculo oficial com a franquia, feita bem antes de sua contratação pela Shueisha.

Toyotaro trabalha sozinho na história agora? Desde a morte de Toriyama, sim, ele assumiu toda a responsabilidade criativa, embora siga se apoiando em materiais e conceitos deixados pelo próprio criador.

Conclusão

A trajetória de Toyotaro é, de certa forma, a fantasia de qualquer fã que já rabiscou seus personagens favoritos num caderno: ser bom o suficiente pra virar parte oficial da história que ama. Poucas franquias têm um caso assim tão bem documentado, e é um daqueles detalhes que fazem qualquer fã de Dragon Ball olhar pro mangá atual com um pouco mais de carinho.

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Igor Ferreira

Criador de conteúdo e aspirante a escritor! Amante de mangás, animes e todo tipo de conteúdo nerd.

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